Thelma Lipp

PERFIL

Thelma Lipp: a mulher mais bonita do Brasil era homem

Na intensa rivalidade entre Rio de Janeiro e São Paulo que permeava os anos 80, Thelma Lipp foi a resposta paulistana ao surgimento da delícia carioca Roberta Close. Na época, diziam que as duas disputavam o posto de mulher mais bonita do Brasil – mesmo tendo nascido homens.

por Luciano Rodrigues

Beleza e ascensão
Em pouco tempo, Thelma – ou Deodoro Ricardo, ex-coroinha que gostava de se vestir de mulher desde os 15 anos – saiu das boates gays para alcançar a capa da maior revista masculina do País, a Playboy, ao lado de Betty Faria, em 1984.

Depois, passou a fazer parte do cast de jurados de um dos mais tradicionais programas de tevê dos anos 80, o Clube do Bolinha, na Bandeirantes. Thelma participava do quadro “Eles e Elas”, comandado pelo saudoso apresentador Edson “Bolinha” Cury. Pronto: tornou-se figura fácil nas capas de revista de todo o Brasil!

Sua beleza era tamanha que, em 1987, dois cineastas suíços vieram ao País filmar um documentário sobre a vida das travestis em São Paulo. Dentre as dezenas de entrevistadas, ela se destacou e serviu de inspiração para o longa-metragem Thelma, feito na Grécia e lançado em 2001, sobre um homem apaixonado por uma transexual.

O problema com as drogas
Os que não viveram os anos 80 não podem imaginar o tamanho do sucesso de Thelma.

No entanto, como em quase todas as biografias existentes, a fama traz alguns problemas consigo. Com o declínio de sua carreira, a partir de 1995, Thelma Lipp fez das drogas uma companhia constante. Por pouco, a dependência de cocaína e crack não levou também sua vida.

Chegou ao fundo do poço – mais precisamente, à chamada “Cracolândia”, quadrilátero na região central de São Paulo em que traficantes e dependentes comercializam e consomem drogas de todos os tipos.

Gastou boa parte do patrimônio que havia adquirido durante os anos 80. Todas as joias, seu carro e sua moto foram vendidos devido à dependência. Quando o dinheiro acabou, Thelma passou a se prostituir e sair com traficantes em troca de cocaína.

Mesmo assim, ela lutava para retomar a carreira. Sua ressurreição poderia ter acontecido em 2001, quando foi convidada a fazer o papel da travesti Lady Di no filme Carandiru, de Hector Babenco – mas, ao que parece, o preconceito por ela ser trans falou mais alto, e a morena foi substituída pelo ator Rodrigo Santoro.

Thelma demorou anos para conseguir se livrar completamente da dependência química. Nessa luta, contou com a ajuda do deputado estadual Edson Ferrarini (PTB) e seu Programa para Dependentes Químicos, em uma clínica em Atibaia, interior de São Paulo. Tornou-se militante do movimento antidrogas e ressurgiu nos palcos de teatro de São Paulo e em aparições na televisão. Pequenos papéis, mas que deixavam transparecer que ela não havia chegado até ali sem méritos: tinha talento.

Thelma contava 42 anos quando faleceu, na véspera do Natal de 2004, de insuficiência pulmonar causada por uma neurotoxoplasmose, segundo a hoje também falecida Claudia Wonder, no livro Olhares de Claudia Wonder: crônicas e outras histórias – e o Brasil ficou menos bonito.


Fotos: Arquivo pessoal/Reprodução e Reprodução/© Amaury Júnior

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