REPORTAGEM

Trans operadas: como fica o prazer?

As bonecas costumam ser um fascínio para os homens por serem tão ou mais femininas do que as mulheres e com um atributo a mais: o pau. Algumas representantes do “terceiro sexo”, porém, transcedem totalmente a fronteira entre os gêneros e se submetem a uma cirurgia de troca de sexo. No lugar do pênis, surge uma neovagina – e aí? O que muda em suas vidas?

por Mario Calligiuri

A adoração pelo pênis das bonecas ocorre tanto por parte dos homens que são apenas ativos como daqueles que também são passivos.

Entretanto, nem sempre é fácil para uma pessoa trans (travesti ou transexual) ter coragem de se assumir e ter orgulho de ser quem é. Para muitas delas, dificuldades no terreno psicológico fazem parte de uma rotina dura, especialmente quando se referem ao “duelo” entre a forma física e o estado mental.

Muitas experimentam martírios por terem convicção de que são mulheres, de que têm uma alma feminina – mas, quando se olham no espelho, não enxergam essa certeza em seus corpos. São as transexuais* que, diferentemente das travestis, não têm uma identidade de gênero dupla ou ambivalente, mas integralmente pertencente ao sexo oposto ao que lhes foi conferido no nascimento.

Nesses casos, a solução desejada por muitas é se submeter à cirurgia de transgenitalização ou de redesignação sexual, conhecida popularmente como cirurgia de troca de sexo. Uma parcela das transexuais, inclusive, acredita que somente depois de “operadas”, a vida começará realmente. É o caso de Pamela Love, que assumiu sua transexualidade e passou a se vestir de mulher ainda no início da adolescência.

Hoje, aos 25 anos, Pamela ganha a vida na noite e, embora assuma que necessite do pênis para fazer seus programas, já teve depressão por não se aceitar do jeito que se vê no espelho. Seu sonho é fazer a cirurgia: “Lembro que eu tinha muita vergonha do meu corpo, que me sentia muito mal quando ficava excitada. Meu desejo é operar, mas também tenho medo, porque sei que muitas que fizeram [...] acabaram ficando mutiladas, ou então não sentiram mais prazer”.

Cara ou coroa?
Se, por um lado, operar é o desejo de muitas bonecas que, na verdade, são trans, por outro, é também um grande medo, principalmente por se tratar de uma cirurgia delicada que não pode ser realizada por alguém que não seja especialista. Há também um outro detalhe: a mudança de sexo pode fazer com que seus clientes ou parceiros não sintam mais tesão por elas.

Eduardo F. (nome fictício), 25 anos, conta que costuma sair com bonecas desde quando era adolescente e chegou a manter um relacionamento de dois anos. Ele diz que adora sentir o pau, poder pegar, vê-la gozar. Por isso, acredita que, uma vez operada, a garota perde o que tem de mais valioso fisicamente.

Na mesma linha, Pamela Love comenta que, dentre as trans que conhece da noite, há uma que se submeteu à operação e perdeu clientes, que achavam que ela não tinha mais seus atrativos.

Como fica o prazer sexual?
Entre as dúvidas das trans em relação à mudança de sexo, normalmente está, em primeiro lugar, a questão do prazer sem o órgão masculino.

De acordo com Bárbara (nome fictício), 28 anos, que atualmente mora na Europa e se submeteu à cirurgia, o prazer continua, sim. “Depois que passa o período de recuperação e a vida sexual pode voltar à ativa, é uma questão de adequação. Em primeiro lugar, o prazer é produzido não só no corpo, mas na mente também, e hoje [...] posso garantir que tenho orgasmo como qualquer outra mulher”, afirma ela, que mantém um relacionamento estável.

Bárbara confirma, porém, que há casos de amigas que não sentiram mais prazer depois de operadas, mas que isso é motivado por uma cirurgia feita de modo errado: “Conheço outras [...] que ficaram mutiladas porque não tinham grana pra fazer a cirurgia e acabaram na mesa de médicos não capacitados. É uma realidade que não pode ser ignorada”.

Bárbara esclarece que foi para a Europa fazer programas e que conheceu seu marido na noite. Ele acompanhou todo o processo pré-operatório e, segundo ela, aprovou o resultado final: “Quando ele me conheceu, eu ainda tinha um pau, e ele gostava disso, gostava de me ver gozar. Às vezes, pedia para eu ser ativa. Depois que operei, estranhou no início, mas viu que não era somente o pau que traria o prazer. Além do que, nosso amor é mais forte”.

Ela também diz que não é porque possui agora uma vagina que deixou de praticar o sexo anal: “Sinto muito prazer com o sexo anal. O melhor é que posso experimentar outras formas de prazer”.

Os passos depois da operação
Que caminhos seguem as bonecas depois de operadas? Segundo Bárbara, se a trans, antes da cirurgia, fazia programas e for absolutamente feminina, tem a chance de continuar na noite, mas provavelmente se apresentando como mulher.

No entanto, ela ressalta que o mais comum é as bonecas casarem com um europeu e passarem a levar uma nova vida. “Quase todas que conheço [...] se casaram com um europeu. Eles gostam e têm a cabeça mais aberta”, diz Bárbara.

Algumas não deixam de fazer performances em boates, mas outras se tornam donas de casa. Afinal, ter uma vida doméstica, com marido, casa, cachorro, é um desejo de muitas.

* há também transexuais “nascidos” mulheres e com identidade de gênero masculina. São os FTMs (do inglês “female to male”), em oposição às que tratamos aqui, que são transexuais MTF (“male to female”).

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