Lingerie para bonecas

ENTREVISTA

Designer de moda fala sobre seu trabalho com lingeries desenvolvidas especialmente para transexuais ou travestis

por Marcos Piovesan
 
Recém-formada no curso de Design de Moda pela Universidade Tuiuti do Paraná, Fernanda Ramos desenvolveu uma linha de lingeries adaptada para o corpo de pessoas como ela: transexuais ou travestis.
 
Transites: Para entendermos melhor o seu trabalho, conte como foi o processo de sua descoberta.

Fernanda Ramos: Mesmo usando roupas masculinas e sendo tratada assim, sempre me senti uma menina. Através de pesquisas, descobri a existência de uma ONG chamada Transgrupo Marcela Prado, em Curitiba/PR, que esclareceu muitas dúvidas e me possibilitou contato com pessoas na mesma condição. Com tantas informações, pude me conhecer melhor e ver que não era a única na mesma situação.

Transites: Qual foi a maior dificuldade que você enfrentou?

Fernanda Ramos: A aceitação dos meus pais. Eles imaginavam as dificuldades que teria que encarar devido ao preconceito da sociedade, mas sempre me apoiaram, ajudaram e deram força para seguir em frente.

Transites: E quando surgiu a vontade de cursar Moda?

Fernanda Ramos: Sempre tive vontade, mas tinha medo da reação dos meus pais, pois onde fui criada, no interior, pessoas que tinham profissões na área de estética ou moda eram consideradas homossexuais. Por isso, em 2005, dei início à faculdade de Ciências Biológicas. Depois de um ano, percebi que o Design era minha paixão. Comuniquei aos meus pais e parti em busca do meu sonho.

Transites: É muito raro travestis ou transexuais cursarem o nível superior. Na sua opinião, a que se deve isso?

Fernanda Ramos: Não é fácil, durante anos, ser chamada por um nome que não nos corresponde, mesmo estando escrito em um documento. Gostaríamos que as pessoas tivessem bom senso e aprendessem a nos respeitar.  Ainda assim, acredito que essa questão irá melhorar, e muitas trans completarão o grau de escolaridade superior.

Transites: Como foi lidar com a situação da instituição não aceitar o seu nome social e chamá-la pelo nome de batismo?

Fernanda Ramos: Sempre cumpri com meus deveres como estudante, e essa foi uma luta de quatro anos. Busquei meus direitos, mas a instituição deixou claro que, por ser particular, agiria da maneira conveniente a eles.

Transites: Como surgiu a ideia da “lingerie para trans”? 

Fernanda Ramos: Após ser perseguida por alguns professores, resolvi que minha monografia seria alguma coisa relacionada à transexualidade, que é algo mais comum do que muitos imaginam - além de focar num público que encontra dificuldades em encontrar produtos adequados a seu corpo.

Transites: Qual foi a reação do corpo docente quando você propôs o assunto que iria defender?

Fernanda Ramos: Não queriam aceitar o tema, por ser polêmico. Depois de uma segunda conversa, concordaram. Entretanto, não permitiram pessoas trans vestindo as roupas na banca de defesa. Minha orientadora me ajudou em todo o processo, e conseguimos atingir um resultado maravilhoso sem deixar que o assunto fosse para o lado vulgar ou promíscuo.

Transites: Qual a importância de uma lingerie específica para pessoas trans?

Fernanda Ramos: As transexuais precisam de vestimentas adaptadas para seus corpos modificados, com tamanhos adequados e, principalmente, que lhes proporcionem conforto.

Transites: E qual o diferencial desse tipo de lingerie?

Fernanda Ramos: A nova modelagem. O busto, costas e circunferência de quadril contam com tamanhos maiores, para evitar deformação do corpo e melhorar a sustentação, dando mais segurança e confiança durante o uso.

Transites: Em quais pontos focou para desenvolver seu produto?

Fernanda Ramos: Usei funções práticas, estéticas e, acima de tudo, funcionais. O uso correto de uma lingerie em um corpo modificado pode se configurar como objetivo essencial, através de peças íntimas direcionadas ao novo corpo almejado pela “pessoa trans”.

Transites: Seu trabalho foi o primeiro do gênero?

Fernanda Ramos: Até onde eu sei, no Brasil, sim - mas, com certeza, na instituição onde cursei, é o primeiro.

Transites: Seus produtos já podem ser encontrados em algum lugar?

Fernanda Ramos: Ainda não estão disponíveis no mercado devido a uma negociação com uma empresa e a possibilidade de abrir uma marca própria com minha confecção.

 

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Imagens: Reprodução/Arquivo Pessoal
 

 

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